Existem dois tipos de pessoa: Os que recarregam armas e os que cavam. Você cava!
Clint Eastwood e Sergio Leone já haviam trabalhado juntos em outros filmes, mas mal sabiam Três homens em Conflito mudaria de uma vez por todas o futuro do gênero, se tornaria o mais ambicioso e o maior clássico dos faroestes e permaneceria no topo até hoje. A verdade é que aqui, Leone não faz apenas um filme e sim dá um aula de como se faz filmes. As falas do seu roteiro, suas tomadas de cena sem corte, o jogo de câmera focando o rosto dos personagens e suas apresentações com quadros focados, e o desenrolar da história afim de apresentá-los, é de um grande comprometimento com o próprio cinema.
No começo, temos nada mais, nada menos que aproximadamente 10 minutos sem nenhum diálogo, apenas a trilha sonora do sempre genial Ennio Morricone. Na verdade, até os minutos 40, somos apresentados aos personagens. São eles o Mau (Lee Van Cleef), o Feio (Eli Wallach) e o Bom (Clint Eastwood). Todos eles seguem o mesmo objetivo: Achar as sacolas de moedas que estao escondidas em um cemitério. O engraçado é que todos tem uma pista de onde fica o tal lugar, e por causa disso, um acaba tendo que “fingir” confiar no outro. Então, inicia-se uma caçada ao tesouro um tanto divertida.
A maneira como Leone desenvolve a trama é de nos deixar instigados, pelo motivo de sempre um desconfiar do outro, nós nunca sabemos quem está falando a verdade. E isso é uma das melhores coisas do filme. As situações nas quais os personagens passam, são altamente divertidas, não que seja um faroeste-comédia, mas os ótimos diálogos do roteiro, coloca nas situações vividas, um certo ar cômico deixando o filme ainda mais interessante e de um certo modo, divertido. A convivência de Tuco (O Feio) com o Blondie (O Bom) faz com que o filme nunca fique chato. E é impossível não se divertir, assistindo as situações vividas por eles, mesmo que a história se passe num cenário catastrófico e pesado como a Guerra.
Outro lado que também acho fantástico, é a tensão e o suspense do filme que nos envolve de uma forma tão convincente que é impossível não torcer pra algum deles, pois no decorrer do filme, conhecemos todos os três personagens, não sabemos quem está sendo verdadeiro, mas no final escolhemos um preferido e torcemos por ele. E sem deixar de mencionar a melhor cena do filme, digo que nunca vi um duelo tão angustiante quanto o deste aqui. Os movimentos de câmeras focando os olhares, a rotação seguindo bem lentamente, a trilha sonora soberba, um cenário incrívelmente adequado, mais a frieza e atenção reunida nos olhares dos personagens fazem deste duelo um dos mais aclamados já feitos. Muita atenção, muita angústia, muita emoção e coração acelerado nessa cena incrível.
Atuações louváveis é o que não faltam. Clint, que se tornou um dos maiores atores de western, faz do personagem Blondie, um ícone do mundo dos faroestes. E não é porque seu personagem exala um ar de bondade ou por parecer honesto e amigo, mas por ser o “Homem sem Nome” mais dinâmico e ousado dos filmes de Leone. Lee Van Cleef, que interpreta o Mau, acho que não precisou nem fazer força pra interpretar. Ele o faz com tanta simplicidade que realmente parece que ele é mau e que essa característica não é apenas a de seu personagem. Suas expressões de ira, de homem sério e caricato é mais do que convincente, ele chega a dar medo, principalmente quando ele começa a dizer sua frase, que parece ser um de seus lemas: “Quando alguém me manda fazer algo, eu sempre cumpro com o meu trabalho.” É de gelar a alma. E o Feio ou Tuco (Eli Wallach) pode-se dizer que é a simpatia do fillme, ele é debochado, trambiqueiro, desonesto, ladrão e mentiroso.
Ao final dessa trajetória ainda somos alertados de que não devemos confiar em desconhecidos ou até mesmo nos humanos em geral. Se queres fazer algo, faça você mesmo, não arrisque confiar em quem você ainda não confia, pois a ganância do homem o corrói, o desejo de passar por cima dos outros e ter a recompensa só pra si, destrói a confiança e a lealdade de um ao outro. Não vou nem dizer que Sergio Leone é melhor diretor dos Wastern, seria clichê, mas sem dúvidas suas obras marcam o cinema com seu estilo próprio e inovador como neste aqui.

“Comentário dedicado a um grande amigo que me fez assistir este filme, que por sinal é um dos seus preferidos. Creio que se não for ele, nem imagino o dia em que eu assistiria esta Obra-Prima! Valeu Rodolfo!”














