Carros 2 (John Lasseter e Brad Lewis, 2011)

Publicado: 07/08/2011 em Animação, Lançamentos
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Quem diria Dona Pixar?!

Assisti o filme de 2006, adorei, fui ao cinema no mesmo dia, entrei, sentei, cinema lotado e com bastante criança. O filme já inicia com cenas em total exagero, onde se percebe através daquela correria desenfreada, muito tiroteio, perseguição e sem a menor emoção, a intenção ordinária e irreconhecível do estúdio: Entreter, ganhar o público pelos olhos, e nos “enganar” com as cenas de correria para deixar aquele ar de filme divertido. Diferentemente da cena de abertura do filme de 2006, onde vibramos, nos emocionamos e torcemos como se estivéssemos mesmo assistindo a uma corrida decisiva. Com Carros 2, A Pixar se mostra exageradamente comercial, num filme que se quer tem a simplicidade do outro, com navios, aviões, helicópteros modernos, plataformas, carros como Peugeot e Meriva, carros incrivelmente equipados, tudo pra fisgar a criançada logo nos primeiros minutos do filme. Coitadas. A pixar nunca pareceu tão vagabunda.

Se compararmos Carros 2 com outros filmes do estúdio, veremos uma decadência tremenda. Pra começar, a Pixar sempre, sempre começou seus filmes já deixando a impressão de que iremos assistir a uma Obra-Prima ou pelo menos a um bom filme. Foi assim com Carros com a corrida, com Wall-e, o maravilhoso mundo de Procurando Nemo sendo apresentado nos minutos iniciais, O início de Toy Story 3 já levando muita gente às lágrimas só de relembrar aqueles velhos tempos e em Up – Altas Aventuras com a grande trilha Married Life, que provavelmente foi o ápice das cenas iniciais do estúdio. Carros 2 não tem um pingo de emoção, as cenas são tão ambiciosas que o roteiro já se inicia como uma sopa de letrinhas, as cenas de ação são imcompreensíveis, e isso só na parte inicial.

O roteiro, que na maioria das vezes surpreendia pela originalidade, desta vez é pouquíssimo inspirado, e pela primeira vez trabalhado da pior forma possível. A ideía é legal, mas a execução é totalmente falho. Será mesmo que as crianças estavam ligando para a história dos combustíveis? Ou será que estavam gostando das piadinhas que Mate fazia? A decisão de “homenagear” os filmes de espionagem, parecendo mais um filme de James Bond soa berrantemente aproveitadora o fato de o roteiro ter sido deixado em segundo plano. Escolher Carros para fazer uma continuação foi o primeiro erro da Pixar, já que é um dos menores sucessos de público e de crítica enquanto outros super elogiados como Procurando Nemo ou Ratatouille serem esquecidos. Claro, Carros tem muito mais comercialidade que os outros. Imaginem quantos rios de dinheiro eles ganhariam com a venda de novos brinquedos de carros equipados, personagens novos, mochilas, cadernos, e a bilheteria, que por sinal está sendo um fracasso levando em conta que este é em 3D, pouco importa.

A inclusão dos novos personagens foi lamentável, mas pior ainda foi o que fizeram com eles. Desta vez Mate é o protagonista da história. Ele passará uns dias com McQueen nas corridas que acontecerão no Japão, Itália, e Inglaterra para experimentarem o novo combustível limpo do milionário Sir Miles Axlerod, organizador do evento, que tem a intenção de reduzir o consumo de gasolina no planeta. Alguns poderosos tentarão sabotar a competição e pôr por água abaixo a energia alternativa criada por Axlerod. Entra em cena dois espiões que confundirão Mate com um agente secreto disfarçado de guincho enferrujado e os 3 iniciarão uma missão para descobrir quem estar por trás das sabotagens. Veja se não é uma boa história? Debates e interesses politicos, preservação do Planeta, energia renovável, e corrupção.

E é incrível como conseguiram fazer de um personagem carismático o cúmulo da chatice, que não parava de falar um minuto com seu sotaque caipira que já estava dando nos nervos. São tantas frases de efeito, tantas piadinhas passáveis na qual não esboçamos um único sorriso. Lamentável. E a cena final onde Mate está fugindo de McQueen a fim de não estar perto quando a bomba explodir? Totalmente infantil e superficial, como também o carro de fórmula 1. Os criadores só podiam estar sem cérebro ao criar um personagem tão chato como aquele. O roteiro muito bobo, previsível, com cenas de ação desmioladas, o que nunca era o caso da Pixar. Carros 2 é quase uma máquina de piadas, onde tudo, todos os diálogos terminava em correria, tiroteios sem parar, perseguição. Onde foi parar a expontaniedade das cenas? as cenas marcantes? a maturidade? provavelmente, Carros 2 será o típico filme em que as crianças vão com os pais para o cinema a fim de se divertir um pouco e nada mais. O que nunca foi o caso da Pixar que sempre nos deixava uma marca, que sempre nos fazia pensar, e nos fazia sair do cinema com uma alegria inexplicável. Mesmo que o filme seja apenas divertido, para quem procura algo mais, quando se trata da Pixar a decepção é maior.

Há sim os grandiosos gráficos com texturas convincentes, as cores vibrantes, as cidades muito bem representadas, e com algumas boas sacadas, como os carros japoneses feminino com aquela “sombrinha” em cima, ou o banheiro todo tecnológico, a cena em que nos é mostrado a cidade de Tokyo é um achado, ainda que não seja tão engenhosa e sutil quanto a do flash back de Radiator Springs, a dança dos carros numa praça na Itália bem como uma homenagem, Mate brincando com os guardas inglêses com suas posturas paralisadas. Mas a cena final põe a perder o restante da consideração que ainda restava. Por incrível que pareça, Mate sabe-se lá como, descobre toda a verdade, detalhes por detalhes é explicado por ele, deixando aquela lição medíocre de que o rejeitado, o bobo e o que sempre fazia tudo errado salvou o dia e todos viveram felizes para sempre. Francamente Dona pixar!

Nota: 2.5
por Andinhu S. de Souza
Comentários
  1. Natalia Xavier disse:

    Pois é, eu já esperava por isso. Nem fui ver… Pelo jeito, nem sempre o estúdio acerta né?

    Abs!

  2. Gabriel Neves disse:

    Realmente, dona Pixar. Depois de acertar em três grandes anos (Wall-E, Up! e Toy Story 3, para mim os três melhores), Carros 2 foi algo desnecessário. A mensagem de Carros – que eu não gostei na minha ida ao cinema – já foi passada de uma boa maneira, com uma situação que realmente parecia bem inventada para o público ao fortalecer a amizade. Agora essa continuação que mistura corrida com espionagem e comédia, para reforçar uma mensagem que se tornou cansativa após a primeira parte, me deixou super desapontado. Uma pena, só espero algo muuuuito melhor agora da Pixar.
    Abração.

    • O primeiro erro foi ter escolhido Carros para um continuação. esse não tem absolutamente nada além de tiroteios e perseguição, piadinhas q me fazia abaixar a cabeça haha. Totalmente sem alma e coração.

  3. A Pixar finalmente se mostrou humana, apesar de achar Carros fraco, vejo sua sequencia como a primeira “cagada” do estúdio, por mim não merece nem uma indicação ao Oscar.

  4. Esse filme realmente é muito fraco. Só vale pelo o reencontro de alguns personagens, como o Mate, entretanto, o roteiro ridículo, feito me parece na ressaca da festa de comemoração da bilheteria do TS3, torna o filme insuportável até mesmo para os amantes do primeiro. E confesso que o primeiro já não era um dos meus prediletos da Pixar.

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