Mary e Max – Uma Amizade Diferente (2009) de Adam Elliot

Publicado: 22/08/2010 em Animação, Lançamentos, Resenhas
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Você faria de um desconhecido que mora do outro lado do mundo, o seu melhor amigo?

Mary & Max é uma das animações mais belas e mais tocantes já feitas, com uma intensidade emocional incrível, tudo pelo fato da animação carregar um tema que é essencial na vida de todo ser humano: A Amizade. A maneira como o filme lida com esse tema é tão expetacular que quando terminamos de assisti-lo, sentimos vontade de ter um milhão de amigos (mas não pra cada um nos dá 1 real). Apesar de nunca terem se visto, Mary e Max mantém uma amizade tão forte que é impossível de não torcermos para os dois, ou para que um perdoe o outro. E se você pensa que pra ter um melhor amigo, você precisa está perto dele, falar com ele ou ver ele, Adam Elliot te mostrará que não.

Conheça Mary e Max

Mary vive Na Austrália, no subúrbio de Melbourne, tem 8 anos, não tem amigo, apenas um galo de estimação que lhe faz companhia. Sua comida preferida é Leite condensado, ela adora passar seus dias assistindo ao desenho Os Noblets na TV. Mary Tem uma mãe, que não lhe dá o carinho que tanto deseja, adora experimentar vinhos, fumar e possui um estilo de ser humano arrogante. Seu pai trabalha numa fábrica, criando bolsas. Já Max vive em Nova Iorque, tem 44 anos, não tem amigos, por se sentir “diferente” das demais pessoas, sofre de Síndrome de Asperger, frequenta consultas com psiquiatra, é obeso, e também frequenta reuniões de auto ajuda com pessoas acima do peso, é sensível a algo que lhe trás lembranças passadas, também adora assistir os Noblets na TV e sempre quis ter um estoque de chocolate em casa.

Utilizando a técnica da animação fundamentada em bonecos e objetos feitos de argila, Mary and Max é uma animação única, totalmente singular. Não lembro de ter assistido antes a uma produção do gênero que se lançasse tanto nos detalhes cômicos e trágicos da vida de uma criança e de um adulto. Por exemplo, a forma em que eles se conhecem. Max ouvia de seus pais que os Bebês feitos na Austrália são achados no fundo dos copos de cerveja, entao ela pega uma lista telefônica e decide perguntar pra um tal de Max, de Nova Iorque, como são feitos os bebês de lá, e já na primeira carta Mary já puxa vários assuntos de sua vida, como o leite condensado que ela tanto adora. Algum tempo depois, Max recebe a carta. Pode-se dizer que Mary teve sorte de Max ter recebido a carta, poderia ser qualquer um ou a carta poderia não ser aberta por ele.

Provavelmente se a carta caisse em outras mãos, essa linda história poderia não ter acontecido, já que muitos não responderia. Max, por sua vez, responde, dizendo que em Nova Iorque os bebês vem de ovos colocados por rabinos ou por freiras católicas, ou por prostitutas sujas e solitárias. Vai dizer que essas explicações não são ilárias? Mary and Max tem um lado cômido de mostrar a realidade e o cotidiano dos personagens. Por isso mesmo ele é dirigido ao público adulto. Não que as crianças ou os jovens não possam assistí-lo– mas eles dificilmente conseguirão entender toda a gama de ironias da história. E assim o vínculo da amizade é construído. Um foi respondendo para o outro e sempre lhe contando suas vidas, o que gostam de fazer, como é sua cidade…enfim, essas coisas que queremos contar pros nossos amigos distantes.

A verdade é que o diretor e roterista ‘Adam Elliot’ criou uma obra bem original e com seu primeiro longa-metragem deixou ainda mais registrado o seu estilo. Em 2004 Elliot levou para casa uma estatueta dourada por seu trabalho em um curta de animação Harvie Krumpet que segue quase o mesmo estilo deste aqui, com situações rotineiras, a realidade, histórias de pessoas com uma vida diferenciada e lógico, com a mesma arte dos bonecos de argila. O roteiro muito bem feito e detalhado é algo brilhante, com uma visão voltada para o cotidiano sem medo de mostrar a realidade da vida dos personagens e transformar isso em arte, em desenho feito de bonecos e cenários de argila (acho que fazer dois minutos e meio em cada dia, não é algo tão fácil) nascidos da criatividade, tornando seu trabalho ainda mais incrível.

Elliot cria muito bem seus personagens mostrando seus traumas, suas afetações, seus medos; A maior parte é explicada por um narrador, que segue o filme dando vida aos personagens, falando de todos os detalhes da vida deles, como a marca de nacença na testa de Mary, como a vida dos vizinhos, a tristeza que Max sente ao ver uma pessoa jogando lixo no chão, até mesmo o simples fato de Mary gostar tanto de Leite condensado, que podemos achar que é insignificante, Elliot faz disso, o motivo de uma das maiores emoções transmitida no filme. É genial.

A estética diferente no estilo stop-motion é misturada de acordo com o mundo dos personagens, com tons marrons (cor preferida de Mary) e preto e cinza para o mundo solitário de Max. E é interessante como Elliot destaca as coisas importantes dando o tom vermelho. Adam Elliot tem a consciência de como seu trabalho pode afetar a vida das pessoas para o bem, fazendo a diferença em seu cotidiano, por isso investe em fazer um estudo real dos personagens, para que todos que assisiterem possa se sentir tocado de alguma forma, dando sempre a importância da aceitação das diferenças, e isso é muito bom. Fazer o mundo perceber que por mais que sejamos diferente, somos normais e ao mesmo tempo saibamos respeitar as diferenças dos outros.

Falando de Prêmios…

Mary e Max Abriu o Festival de Sundance e depois participou do Festival de Berlim e entre outros Festivais internacionais. O longa foi um dos pré-selecionado para o Oscar de 2010, mas infelizmente nem uma indicação o filme recebeu. Uma das animações mais injustiçadas pela academia. Sem dúvidas, é a melhor animação de 2009, pena que a academia tenha premiado outro que não seja tão ousado como este.

Ao fim, ouso dizer que Mary e Max é uma obra-prima das animações, Simplesmente por ele ser das melhores animações que eu vi nos últimos anos. Elliot tem tudo pra ser um dos melhores diretores do gênero, seu modo de criar cenários, bonecos, e as lindas histórias reais que ele nos mostra, é algo pra ser aplaudido de pé. Se tornou um dos meus preferidos do gênero. Tocante, engraçado, sarcástico, bonito, emocionante, muito bem feito e nos mostra que apesar dos altos e baixos, das diferenças, dos desentendimentos, e da distância, nunca vale apena jogar fora uma grande amizade. Obrigatório!

Nota: 9.0

Por: Andinhu S. de Souza

Comentários
  1. Ameeei! *————————*

    Filmaço! Adam Elliot é foda. Ri e quase chorei. Demais!

  2. Excelente mesmo.

    Filmaço! Adam Elliot é foda. Ri e quase chorei. Demais![2]
    Andinhu.

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